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Vítimas lutam para superar traumas de acidentes de trabalho em MS

13/11/2015 10h56 - Atualizado em 13/11/2015 13h47

Vitimas de graves acidentes de trabalho, o caldereiro Aristeu (à esquerda), de 51 anos, e o ajudante de produção, Willian, de 25 anos, tiveram membros amputados  (Foto: Arquivo Pessoal/Aristeu Aguilhera e Willian Roberval )
Vitimas de graves acidentes de trabalho, o caldeireiro Aristeu (à esquerda), de 51 anos, e o ajudante de produção, Willian, de 25 anos, tiveram membros amputados (Foto: Arquivo Pessoal/Aristeu Aguilhera e Willian Roberval )

 Dia 13 de abril de 2015, uma segunda-feira. O que parecia mais um dia normal na vida do caldeireiro Aristeu Aguilera Vargas, de 51 anos, ia mudar para sempre sua vida. Trabalhando há cinco anos em uma indústria de alimentos de Nova Alvorada do Sul, a 120 quilômetros de Campo Grande, onde fazia reparos e confeccionava coifas e tubos metálicos, menos de duas horas depois de iniciar o expediente ele sofreria um grave acidente de trabalho que levaria a amputação do seu pé e de parte de sua perna direita.
 O acidente, segundo Aristeu, ocorreu no setor de beneficiamento de arroz da indústria. Atendendo uma determinação do seu gerente, ele se preparava para trabalhar na tubulação para a aspiração de pó da caixa de alimentação da selecionadora do cereal. Apesar de insistir com seu chefe para ter um ajudante na tarefa, sob ameaça de uma advertência, fazia o trabalho sozinho, a 4,70 metros de altura, em cima de uma escada e com a perna apoiada sobre o transportador do cereal. A proteção sobre o transportador que apesar de vazio estava ligado, cedeu, e a perna dele caiu dentro do equipamento, que possui uma espécie de “rosca” sem fim.

 Quando o pé dele caiu dentro da rosca foi imediatamente dilacerado, junto com parte da perna. Aristeu ainda se segurou para não ser totalmente sugado pela máquina enquanto gritava por socorro. Outros funcionários apareceram, mas o botão de emergência para desligar o transportador não funcionou. O equipamento só parou quando a “rosca” ficou “engasgada” com a perna do trabalhador. Socorrido pelos próprios colegas, já que não havia no local nem equipe habilitada a lhe prestar os primeiros socorros nem ambulância, foi levado no carro de um funcionário do  setor de recursos humanos (RH) da empresa para o hospital do município, onde depois de um rápido atendimento foi encaminhado para a Santa Casa de Campo Grande.

Willian conta que ia colocar material no equipamento que fazia o transporte dos restos dos animais abatidos no frigorífico, como cabeças, gorduras e patas, até uma máquina chamada quebrador, onde ocorria a moagem completa destes itens, que depois eram encaminhados a outra unidade da graxaria. Ele explica que no momento em que fazia esse procedimento seu braço acabou ficando preso entre a hélice da rosca da transportadora e a carcaça do equipamento, e que neste instante a máquina amputou seu braço e começou a puxá-lo. “Me lembro exatamente do momento em que meu braço quebrou e a máquina começou e me puxar. Com muito esforço, consegui soltar o braço. Como estava trabalhando sozinho, ainda desliguei a máquina antes de subir até o RH da empresa em busca de socorro”, recorda.

No momento do acidente, o ajudante de produção diz que não havia equipe habilitada e nem uma ambulância para socorrê-lo, e que apenas um outro funcionário fez um torniquete e o encaminhou em um carro para um hospital da cidade, de onde foi transferido para a Santa Casa de Campo Grande. No hospital, permaneceu internado por 15 dias e foi submetido a duas cirurgias.

Nessa história está presente o descumprimento dos seguintes pontos das normas regulamentadoras brasileira:

 “Podemos citar que a empresa deixou de cumprir a NR12, que trata da obrigatoriedade de fornecer treinamento para o trabalho em máquinas e equipamentos, e a NR35 que versa sobre o trabalho em altura, estipulando que naquela situação ele deveria ter um andaime para trabalhar e não uma escada. Isso, sem falar de outros aspectos da própria NR12, da NR4, da NR18 e da NR13, que não foram cumpridos pela empresa e que acabaram motivando os autos de infração do Ministério do Trabalho”

12.5 a) cumprir todas as orientações relativas aos procedimentos seguros de operação, alimentação, abastecimento, limpeza, manutenção, inspeção, transporte, desativação, desmonte e descarte das máquinas e equipamentos; 
Esse ponto é descumprido quando Aristeu com completo descaso apoia sua perna sobre o equipamento que estava trabalhando.
c) Comunicar seu superior imediato se uma proteção ou dispositivo de segurança foi removido, danificado ou se perdeu sua função;
A não comunicação dos usuários da máquina em que Aristeu estava trabalhando a um superior falando que a segurança da mesma estava comprometida.
12.8.2. As áreas de circulação e armazenamento de materiais e os espaços em torno de máquinas devem ser projetados, dimensionados e mantidos de forma que os trabalhadores e os transportadores de materiais, mecanizados e manuais, movimentem-se com segurança.
Não foi criado um meio de manutenção para a máquina de forma que Aristeu e William pudessem trabalhar de forma segura. No caso de Aristeu estava errado, pois ele estava usando uma escada para realizar o serviço. Já no caso de William o contato direto com a máquina não atendia as medidas de segurança adequadas.
12.110. Devem ser elaborados e aplicados procedimentos de segurança e permissão de trabalho para garantir a utilização segura de máquinas e equipamentos em trabalhos em espaços confinados.
12.111. As máquinas e equipamentos devem ser submetidos à manutenção preventiva e corretiva, na forma e periodicidade determinada pelo fabricante, conforme as normas técnicas oficiais nacionais vigentes e, na falta destas, as normas técnicas internacionais.
A fragilidade da proteção que acabou cedendo e ocasionando o acidente de Aristeu já deveria ter sido encontrada através de uma manutenção preventiva e corretiva.
13.6.1.2 As tubulações ou sistemas de tubulação devem possuir dispositivos de segurança conforme os critérios do código de projeto utilizado, ou em atendimento às recomendações de estudo de análises de cenários de falhas.
Ocorreu a falha quando o dispositivo de segurança não funcionou fazendo assim com que a máquina continuasse funcionando após o acidente.

Fonte: http://g1.globo.com/mato-grosso-do-sul/noticia/2015/11/vitimas-lutam-para-superar-traumas-de-acidentes-de-trabalho-em-ms.html

Postado por: Vítor Pontes

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